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sábado, 23 de novembro de 2013

Herberto Helder (Funchal, 23 de Novembro de 1930)

 Fotografia do espólio Alberto Lacerda, gentilmente cedida por Luís Amorim de Sousa


Toda a obra de Herberto Helder à sua disposição nas

LIVRARIAS DO CHIADO | PASSOS MANUEL
Pátio Siza - Rua Garrett, 10 | Rua do Carmo, 29 | Lisboa 
Telefone 212460505
 {segunda a sábado: 12h-19h | domingo: 15h-19h}
Rua Passos Manuel, 67 B | 1150-258 Lisboa 
Telefone 213583030 Fax 213583039 livraria.pm@sistemasolar.pt 
{segunda a sexta: 10h-13h | 14h-19h}

domingo, 26 de maio de 2013

«Servidões», de Herberto Helder




Servidões 
Herberto Helder 

ISBN 978-972-37-1696-2
Encadernado, 128 páginas, PVP 22 €

«dos trabalhos do mundo corrompida 
que servidões carrega a minha vida» 

À venda a partir de amanhã, dia 27 de Maio de 2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

«Oração mágica finlandesa para estancar o sangue das feridas»



Pára, sangue, de correr, 
de ressaltar aos borbotões,
de me inundar como torrente, 
de me brotar sobre o flanco.
Como contra uma parede,
imóvel como uma sebe,
lírio marinho direito
como espadana na espuma,
como pedra no talude
e o recife na corrente.
Sangue, sangue, se o desejo
te faz correr com tal força, 
circula dentro da carne,
abraça-te aos ossos vivos.
Belo, belo que é correr
na obscura pele compacta,
sussurrando nas artérias,
murmurando contra os ossos.
Pára, sangue, de correr
sobre a fria terra morta.
Não corras, leite, no chão,
sangue inocente no vale,
beleza humana entre a erva,
oiro de heróis na colina.
Desce fundo ao coração,
bate surdo nos pulmões,
desce, desce fundamente
aos órgãos vivos do corpo.
Não és rio que se escoe,
nem calmo lago parado,
nem fonte que brote assim,
nem barca velha com rombos.

O Bebedor Nocturno
[ Poemas mudados para português por Herberto Helder ]

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

«com os livros atrás a arder para toda a eternidade.»



AOS AMIGOS

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Helder

[ Herberto Helder nasceu no dia 23 de Novembro de 1930 ]