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segunda-feira, 12 de agosto de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
Carlos de Oliveira
Carlos de Oliveira
[ n. Belém do Pará (Brasil), 10 de Agosto de 1921 ]
«Pego na folha de papel, onde o bolor do poema se infiltrou, levanto-a contra a luz, distingo a marca de água (uma ténue figura emblemática) e deixo-a cair. Quase sem peso, embate na parede, hesita, paira como as folhas das árvores no outono (o mesmo voo mortal, vegetal) e poisa sobre a mesa para ser o vagaroso estrume doutro poema.»
Carlos de Oliveira, Trabalho Poético, Assírio & Alvim.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Mário Cesariny nasceu há 90 anos
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
«Entre duas chávenas de chá.»
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«Nos seus cadernos de apontamentos afirma que a história — um "esboço simples, vago e sem pormenores" — lhe foi contada dois anos antes pelo arcebispo de Cantuária, "entre duas chávenas de chá", por sua vez ouvida da boca de uma mulher mantida sob anonimato, e que esta mulher tê-la-ia escutado de um desconhecido.» A.F.
«Um dia, em 1475, o Mar do Norte bruscamente retirou-se; (...)»
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«Um dia, em 1475, o Mar do Norte bruscamente retirou-se; o Zwyn de repente secou, sem que fosse alguma vez possível desassoreá-lo ou voltar a restabelecer uma circulação de água; e Bruges, de ali em diante afastada dessa vasta mama do mar que lhe tinha alimentado os filhos, começou a ficar anémica, e desde há quatro séculos agoniza. Como a cidade é comovente nesta tísica com séculos que a faz escarrar, atingida por um golpe mortal, uma a uma as suas pedras — como pulmões — e sobretudo comovente numa manhã de Novembro outonal, como esta, sob um céu de palidez parecida com a sua…»
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
«desse tempo em que tudo nos parecia possível.»
José Afonso (Aveiro, 2 de Agosto de 1929 - Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987)
«Nessa altura também ainda não sabia que
eu e o Zeca tínhamos várias outras coisas em comum, a começar pela
proximidade geográfica: ele nasceu em Aveiro, a escassos cinco
quilómetros da terra onde vim ao mundo. E foi na cidade da ria que nos
cruzámos fisicamente pela primeira vez, num encontro quase sem história
(e, para ele, decerto sem memória), pouco tempo passado sobre o 25 de
Abril de 74, numa altura em que Zeca ali foi para um dos muitos milhares
de convívios cantigueiros desse tempo em que tudo nos parecia
possível.»
Viriato Teles, As Voltas de Um Andarilho, Assírio & Alvim, 2009.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
«Porgy é um personagem belo e invulgar.» (Mário Rufino)
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«Ai é mesmo duro ser preto;
Ai é mesmo duro ser preto;
Ai é mesmo duro ser preto.
Onde tu meteu
os direito que te deram?
«No colchão de pau dormi
sem melhor para desejar;
mas veio um branco dizer:
agora és livre; vai trabalhar, vai trabalhar!»
Depois, todos se lhe juntaram em coro:
«Ai é mesmo duro ser preto...»
quarta-feira, 3 de julho de 2013
«Desde logo houve a precipitação de ser comparado com Kafka [3/VII/1883 - 3/VI/1924].»
«[...] Em 1960, o crítico polaco Arthur Sandauer revelou a editores franceses e alemães um escritor do seu país que Cracóvia acabava de voltar a pôr à disposição do público com As Lojas de Canela (aqui numa tradução feita a partir dos seus textos francês e inglês). Desde logo houve a precipitação de ser comparado com Kafka [3/VII/1883 - 3/VI/1924]. Estavam confundidos no que parecia uma mesma tradição bíblica e nos mitos que ela alimenta; e até acontecia que a metamorfose em insecto de Gregor Samsa era repetida em Jakub, o Pai das histórias de Schulz. Eram no entanto separados por algo de mais fundamental: ao asceticismo de Kafka opunha-se a sensualidade de Schulz; à secura estilística de Kafka a exuberância verbal de Schulz, o delírio de um amante das palavras que a todo o momento travavam batalha dura para as dominar. Tinha sido preciso esse meio século para o autor de uma tão brilhante singularidade literária começar a ser reconhecido como nome central da literatura polaca, para o autor de tão belos desenhos, com Vénus à Masoch e homens humilhados, alimentar álbuns e surgir em exposições públicas que mostravam o melhor do seu nunca concluído Livro Idólatra.»
Aníbal Fernandes, Apresentação de As Lojas de Canela, de Bruno Schulz (Sistema Solar, 2012).
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