sexta-feira, 23 de novembro de 2012

«com os livros atrás a arder para toda a eternidade.»



AOS AMIGOS

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Helder

[ Herberto Helder nasceu no dia 23 de Novembro de 1930 ]

domingo, 18 de novembro de 2012

Manuel António Pina

                           na homenagem feira do livro do porto, 2010

[ Sabugal, 18 de Novembro de 1943 - Porto, 19 de Outubro de 2012 ]


PRIMEIRO DOMINGO

A tarde estava errada,

não era dali, era de outro domingo,
quando ainda não tinhas acontecido,
e apenas eras uma memória parada
sonhando (no meu sonho) comigo.

E eu, como um estranho, passava

no jardim fora de mim
como alguém de quem alguém se lembrava
vagamente (talvez tu),
num tempo alheio e impresente.

Tudo estava no seu lugar

(o teu lugar), excepto a tua existência,
que te aguardava ainda, no limiar
de uma súbita ausência,
principalmente de sentido.




sábado, 17 de novembro de 2012

«Cibercultura e Ficção», de Jorge Martins Rosa (org.)


Cibercultura e Ficção

ISBN: 978-989-8618-09-2

Edição: Novembro 2012

Preço: 21,70 euros | PVP: 23 euros

Formato: 16×22 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 384


[ Em colaboração com o CECL ]

Organização de 
Jorge Martins Rosa

Autores
Aline Ferreira | Ana Barroso | António Fernando Cascais | Artur Matos Alves | Daniel Cardoso | Ermelinda Maria Araújo Ferreira | Filipe da Costa Luz | Gonçalo Furtado | Herlander Elias | Ieda Tucherman | Isabel Brison | João Rosmaninho Duarte Silva | Jorge Martins Rosa | José da Costa Ramos | Manuel Bogalheiro | Margarida Medeiros | Maria Augusta Babo | Maria do Rosário Monteiro | Patrícia Proença | Paulo da Silva Quadros | Paulo Tavares | Pedro de Andrade | Raquel Botelho | Rui Pereira Jorge | Sandra Bettencourt 

«Que afinidades podem encontrar-se entre a ficção e as ideias-chave da cibercultura, como os mundos virtuais ou o conceito de pós-humano? Sabê-lo foi o objetivo do projeto de investigação «A Ficção e as Raízes de Cibercultura», acolhido pelo Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (Universidade Nova de Lisboa) e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Neste volume, que reúne textos do colóquio integrado nesse projeto, apresentados pela equipa e por outros investigadores no universo lusófono, destaca-se a diversidade de abordagens e de respostas. Seja emtextos obscuros de finais do século XIX e início do XX, no previsível género da ficção científica, emautores canónicos como Forster, Beckett e Borges, ou noutros meios de expressão como o cinema, abre-se aqui um rico mas ainda pouco explorado terreno de pesquisa sobre o imaginário tecnológico contemporâneo e o seu passado recente.»

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sábado, 10 de novembro de 2012

«David Golder», de Irene Nemirowsky

[ clicar na imagem para ler pdf com apresentação e três primeiros capítulos ]

David Golder

Irene Nemirowsky


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8566-21-8
Edição: Setembro 2012
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5x20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 208


Edmond Jaloux: «Fiquei estupefacto.»

Neste continente, e com gente civilizada de um século XX quase a meio, houve campos de concentração. Berlim sonhava uma Europa ariana e de supremacia germânica num espaço geográfico onde viviam nove milhões de judeus, todos a mais.


Em 1903, quando Irma Irina nasceu em Kiev, a família Nemirowsky (com um nome forte na alta finança do país) falava sobretudo francês. O seu pai Leonid chamava-lhe ma petite, dava-lhe a companhia e as lições de uma preceptora francesa, e nas histórias da sua infância a Gata Borralheira apareceu-lhe como Cendrillon, e a Capuchinho Vermelho como Petit Chaperon Rouge. No romance David Golder o judeu sabe que deve sempre «recomeçar» e muitas vezes terá, talvez, de fazê-lo. Leonid estava a «recomeçar», e poucos anos mais tarde voltaria a ser um abastado banqueiro; passaria a ser monsieur Léon, a sua mulher Anna passaria a ser madame Fanny, e Irma Irina, claro está, mademoiselle Irene; continuavam a comunicar uns com os outros em francês, como já antes faziam, mas agora no país certo; e adquiriam os costumes e os comportamentos da alta burguesia de Paris. Irene frequentava a Sorbonne num curso de letras, e uma conceituada escola de dança.
No dia 17 de Julho de 1942, Irene Nemirowsky [1903-1942] estava entre os 928 judeus metidos em vagões para transporte de gado, com palha no chão e um balde com água, num comboio que durante três dias e duas noites atravessou a França, a Alemanha e a Polónia até Auschwitz. Chegadas ao destino, as mulheres foram separadas dos homens, entregaram jóias e alianças de casamento, foram rapadas, tomaram um banho de chuveiro com água fria e vestiram batas às riscas. No dia seguinte tiveram um número tatuado no pulso. Irene Nemirowsky só viveu trinta dias em Auschwitz; não chegou a esqueleto vivo nem à câmara de gás; morreu, atingida pela epidemia de tifo que nesse momento matava piedosamente os residentes do campo.

A.F.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

«Foi há tantos anos que ainda me lembro»


60 Canções — Partituras, Letras, Cifras
Sérgio Godinho

Formato e acabamento: 23 x 29 cm, edição brochada com badanas / 248 páginas

ISBN: 978-972-37-1655-9
PVP: 19 €

«Ninguém escreve canções como estas em português de Portugal. Em grande medida porque ninguém escreve textos tão trabalhados. Sérgio Godinho usa o verso longo e curto, cultiva referências cultas ou populistas, faz jogo com o gozo da rima. É essa oficina que garante graça e acutilância às canções.»


Pedro Mexia, in «Público»


Foi há tantos anos que ainda me lembro: adolescente, eram livros como este que me levaram a experimentar as primeiras (e rudimentares) formas de escrita; e, desde aí, nunca me têm largado. Ou seja, tenho-os à mão e eles têm-me à perna.
O acesso prático aos mecanismos que outros usaram para criar (ou criaram para usar…) nunca deixou de me trazer luzes e dicas importantes, neste ofício intermitente da feitura de canções.
Imitamos, transformamos, inventamos, emperramos e solucionamos, mas nunca a partir do nada – há sempre, num ponto de partida, de percurso ou de chegada, o que nos foi sugerido por outros saberes. Com livro ou sem livro.
Mas é destes manuais que falamos: sabemos como em Portugal, são ainda, infelizmente, aves raras. Começam agora algumas a pousar, e serão cada vez mais bem-vindas.
Que prenda para todos os que praticam estas coisas, ter um dia acesso a toda a música portuguesa (enfim, não exageremos…) neste formato, ou formatos afins.
Estatisticamente, o meu contributo passaria a ser muito menor, e eu com isso no maior contentamento.

Sérgio Godinho

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

«Rumor Branco», de Almeida Faria


RUMOR BRANCO
Almeida Faria


Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada com badanas / 160 páginas

ISBN: 978-972-37-1648-1
PVP: 12,90 €


«Almeida Faria foi génio aos dezanove anos, quando publicou Rumor Branco, e desde então tem ousado publicar uma obra imprevisível, corajosa e inclassificável.
»

Miguel Esteves Cardoso


«Mais «romance novo» do que nouveau roman, Rumor Branco é uma representação do mundo português de 1962 enquanto náusea. E no entanto, a polémica que à época identificou Almeida Faria como delfim do «existencialismo» (em resposta ao astuto prefácio de Vergílio Ferreira), agitou o vão fantasma das «angústias
metafísicas» onde havia, na verdade, um novíssimo e torturado realismo, uma denúncia de um quotidiano opressivo, repugnante. Mas é a linguagem, antes de mais, que se revolta: a fragmentação, a pontuação escassa, a sintaxe ousada, uma partitura dissonante e ofegante de provérbios, palavras de ordem, neologismos, clichés. Uma música pós-musical, como a de Stockhausen, a que o título alude. Na década mais moderna do romance português, o jovem escritor de dezanove anos recusava uma ficção didática, previsível e de fundo otimista. Eduardo Lourenço chamou-lhe uma «literatura desenvolta», que vale tanto pelo que consegue como por aquilo que recusa. Nem gratuito nem ensimesmado, Rumor Branco desmultiplica-se em perspetivas agudas, do melodrama lisboeta à boémia parisiense, passando pela militância política ativa e pelo proverbial enfado dos burgueses cultos; no essencial, a sua visão é feérica, espetral, e em várias passagens o fio narrativo cede lugar a digressões poéticas soturnas. Portugal como assombração, como assombro. E uma literatura nova nos escombros de um mundo antigo.»

Pedro Mexia

sábado, 27 de outubro de 2012

Obras de Eugénio de Andrade



PRIMEIROS POEMAS · AS MÃOS E OS FRUTOS · 
OS AMANTES SEM DINHEIRO
Eugénio de Andrade


Prefácio: Gastão Cruz

Colecção: Obras de Eugénio de Andrade 1
Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada com badanas / 112 páginas

ISBN: 978-972-37-1649-8
PVP: 12,00

«A poesia de Eugénio de Andrade criou, para dele falar, uma linguagem que é, simultaneamente, simples e espessa, eufórica e trágica, direta e metafórica. A sábia dosagem destes elementos afastou-a completamente dos perigos de uma aproximação excessiva do real prosaico e vulgar que tem inquinado tanta pretensa poesia, dita do quotidiano e “da experiência”, e avessa à metáfora.»

Gastão Cruz



AS PALAVRAS INTERDITAS · ATÉ AMANHÃ
Eugénio de Andrade


Prefácio: Nuno Júdice

Colecção: Obras de Eugénio de Andrade 2
Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada com badanas / 72 páginas

ISBN: 978-972-37-1656-6
PVP: 10,00


«As Palavras Interditas e Até Amanhã são livros em que se encontra, praticamente em cada poema, aquilo que fez, e faz, de Eugénio de Andrade o mais luminoso e claro dos nossos poetas do século XX.»

Nuno Júdice


Já estão disponíveis nas livrarias Assírio & Alvim