sábado, 10 de novembro de 2012

«David Golder», de Irene Nemirowsky

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David Golder

Irene Nemirowsky


Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

ISBN: 978-989-8566-21-8
Edição: Setembro 2012
Preço: 15,09 euros | PVP: 16 euros
Formato: 14,5x20,5 cm (brochado, com badanas)
Número de páginas: 208


Edmond Jaloux: «Fiquei estupefacto.»

Neste continente, e com gente civilizada de um século XX quase a meio, houve campos de concentração. Berlim sonhava uma Europa ariana e de supremacia germânica num espaço geográfico onde viviam nove milhões de judeus, todos a mais.


Em 1903, quando Irma Irina nasceu em Kiev, a família Nemirowsky (com um nome forte na alta finança do país) falava sobretudo francês. O seu pai Leonid chamava-lhe ma petite, dava-lhe a companhia e as lições de uma preceptora francesa, e nas histórias da sua infância a Gata Borralheira apareceu-lhe como Cendrillon, e a Capuchinho Vermelho como Petit Chaperon Rouge. No romance David Golder o judeu sabe que deve sempre «recomeçar» e muitas vezes terá, talvez, de fazê-lo. Leonid estava a «recomeçar», e poucos anos mais tarde voltaria a ser um abastado banqueiro; passaria a ser monsieur Léon, a sua mulher Anna passaria a ser madame Fanny, e Irma Irina, claro está, mademoiselle Irene; continuavam a comunicar uns com os outros em francês, como já antes faziam, mas agora no país certo; e adquiriam os costumes e os comportamentos da alta burguesia de Paris. Irene frequentava a Sorbonne num curso de letras, e uma conceituada escola de dança.
No dia 17 de Julho de 1942, Irene Nemirowsky [1903-1942] estava entre os 928 judeus metidos em vagões para transporte de gado, com palha no chão e um balde com água, num comboio que durante três dias e duas noites atravessou a França, a Alemanha e a Polónia até Auschwitz. Chegadas ao destino, as mulheres foram separadas dos homens, entregaram jóias e alianças de casamento, foram rapadas, tomaram um banho de chuveiro com água fria e vestiram batas às riscas. No dia seguinte tiveram um número tatuado no pulso. Irene Nemirowsky só viveu trinta dias em Auschwitz; não chegou a esqueleto vivo nem à câmara de gás; morreu, atingida pela epidemia de tifo que nesse momento matava piedosamente os residentes do campo.

A.F.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

«Foi há tantos anos que ainda me lembro»


60 Canções — Partituras, Letras, Cifras
Sérgio Godinho

Formato e acabamento: 23 x 29 cm, edição brochada com badanas / 248 páginas

ISBN: 978-972-37-1655-9
PVP: 19 €

«Ninguém escreve canções como estas em português de Portugal. Em grande medida porque ninguém escreve textos tão trabalhados. Sérgio Godinho usa o verso longo e curto, cultiva referências cultas ou populistas, faz jogo com o gozo da rima. É essa oficina que garante graça e acutilância às canções.»


Pedro Mexia, in «Público»


Foi há tantos anos que ainda me lembro: adolescente, eram livros como este que me levaram a experimentar as primeiras (e rudimentares) formas de escrita; e, desde aí, nunca me têm largado. Ou seja, tenho-os à mão e eles têm-me à perna.
O acesso prático aos mecanismos que outros usaram para criar (ou criaram para usar…) nunca deixou de me trazer luzes e dicas importantes, neste ofício intermitente da feitura de canções.
Imitamos, transformamos, inventamos, emperramos e solucionamos, mas nunca a partir do nada – há sempre, num ponto de partida, de percurso ou de chegada, o que nos foi sugerido por outros saberes. Com livro ou sem livro.
Mas é destes manuais que falamos: sabemos como em Portugal, são ainda, infelizmente, aves raras. Começam agora algumas a pousar, e serão cada vez mais bem-vindas.
Que prenda para todos os que praticam estas coisas, ter um dia acesso a toda a música portuguesa (enfim, não exageremos…) neste formato, ou formatos afins.
Estatisticamente, o meu contributo passaria a ser muito menor, e eu com isso no maior contentamento.

Sérgio Godinho

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

«Rumor Branco», de Almeida Faria


RUMOR BRANCO
Almeida Faria


Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada com badanas / 160 páginas

ISBN: 978-972-37-1648-1
PVP: 12,90 €


«Almeida Faria foi génio aos dezanove anos, quando publicou Rumor Branco, e desde então tem ousado publicar uma obra imprevisível, corajosa e inclassificável.
»

Miguel Esteves Cardoso


«Mais «romance novo» do que nouveau roman, Rumor Branco é uma representação do mundo português de 1962 enquanto náusea. E no entanto, a polémica que à época identificou Almeida Faria como delfim do «existencialismo» (em resposta ao astuto prefácio de Vergílio Ferreira), agitou o vão fantasma das «angústias
metafísicas» onde havia, na verdade, um novíssimo e torturado realismo, uma denúncia de um quotidiano opressivo, repugnante. Mas é a linguagem, antes de mais, que se revolta: a fragmentação, a pontuação escassa, a sintaxe ousada, uma partitura dissonante e ofegante de provérbios, palavras de ordem, neologismos, clichés. Uma música pós-musical, como a de Stockhausen, a que o título alude. Na década mais moderna do romance português, o jovem escritor de dezanove anos recusava uma ficção didática, previsível e de fundo otimista. Eduardo Lourenço chamou-lhe uma «literatura desenvolta», que vale tanto pelo que consegue como por aquilo que recusa. Nem gratuito nem ensimesmado, Rumor Branco desmultiplica-se em perspetivas agudas, do melodrama lisboeta à boémia parisiense, passando pela militância política ativa e pelo proverbial enfado dos burgueses cultos; no essencial, a sua visão é feérica, espetral, e em várias passagens o fio narrativo cede lugar a digressões poéticas soturnas. Portugal como assombração, como assombro. E uma literatura nova nos escombros de um mundo antigo.»

Pedro Mexia

sábado, 27 de outubro de 2012

Obras de Eugénio de Andrade



PRIMEIROS POEMAS · AS MÃOS E OS FRUTOS · 
OS AMANTES SEM DINHEIRO
Eugénio de Andrade


Prefácio: Gastão Cruz

Colecção: Obras de Eugénio de Andrade 1
Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada com badanas / 112 páginas

ISBN: 978-972-37-1649-8
PVP: 12,00

«A poesia de Eugénio de Andrade criou, para dele falar, uma linguagem que é, simultaneamente, simples e espessa, eufórica e trágica, direta e metafórica. A sábia dosagem destes elementos afastou-a completamente dos perigos de uma aproximação excessiva do real prosaico e vulgar que tem inquinado tanta pretensa poesia, dita do quotidiano e “da experiência”, e avessa à metáfora.»

Gastão Cruz



AS PALAVRAS INTERDITAS · ATÉ AMANHÃ
Eugénio de Andrade


Prefácio: Nuno Júdice

Colecção: Obras de Eugénio de Andrade 2
Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada com badanas / 72 páginas

ISBN: 978-972-37-1656-6
PVP: 10,00


«As Palavras Interditas e Até Amanhã são livros em que se encontra, praticamente em cada poema, aquilo que fez, e faz, de Eugénio de Andrade o mais luminoso e claro dos nossos poetas do século XX.»

Nuno Júdice


Já estão disponíveis nas livrarias Assírio & Alvim

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

«Diários», de Al Berto


DIÁRIOS

Al Berto


Organização e Prefácio: Golgona Anghel


Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada com sobrecapa / 592 páginas
ISBN: 978-972-37-1650-4
PVP: 22 €

Preciso com a máxima urgência de escrever, sobretudo não parar de escrever, não para substituir o livro que me escapa, que se desligou de mim, mas porque me é impossível não criar, não escrever, ou ficar siderado perante o vazio que o livro deixou. Não acredito no génio, acredito, sim, na necessidade, na urgência, na ânsia de me manter por um fio entre a queda final e o precário equilíbrio das palavras.

Al Berto


Já está disponível nas livrarias Assírio & Alvim

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

deixando no poema uma espécie de mágoa / como uma marca de água impresente

Fotografia (pormenor) de Lucília Monteiro

TODAS AS PALAVRAS

As que procurei em vão,
principalmente as que estiveram muito perto,
como uma respiração,
e não reconheci,
ou desistiram e
partiram para sempre,
deixando no poema uma espécie de mágoa
como uma marca de água impresente;
as que (lembras-te?) não fui capaz de dizer-te
nem foram capazes de dizer-me;
as que calei por serem muito cedo,
e as que calei por serem muito tarde,
e agora, sem tempo, me ardem;
as que troquei por outras (como poderei
esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);
as que perdi, verbos e
substantivos de que
por um momento foi feito o mundo
e se foram levando o mundo.
E também aquelas que ficaram,
por cansaço, por inércia, por acaso,
e com quem agora, como velhos amantes sem
desejo, desfio memórias,
as minhas últimas palavras.

Manuel  António Pina

«Não se pintam almas; pintam-se corpos; e quando os corpos estão bem pintados… com um raio!… a alma, caso tenham uma, por todos os lados a alma irradia e transparece.»


«Olhe. Veja-me isto… a Vitória de Samotrácia. É uma ideia, é todo um povo, um momento heróico na vida de um povo, mas os tecidos colam-se, as asas batem, os seios incham. Não preciso de ver a sua cabeça para imaginar o olhar, porque todo o sangue que chicoteia, que circula, canta nas pernas, nas ancas, em todo o corpo, passou como uma torrente pelo cérebro, subiu até ao coração. Está em movimento, é todo o movimento da mulher, de toda a estátua, de toda a Grécia. Olhe, quando a cabeça se soltou, o mármore ficou a sangrar… Ao passo que lá em cima, com o sabre do carrasco, pode cortar o pescoço a todos aqueles queridos mártires: sairá um pouco de vermelhão, gotas de sangue, isso… Já levantaram voo para Deus, exangues. As almas não se pintam. E, repare, as asas da Vitória não se vêem, eu já não as vejo. Não pensamos nelas, tão naturais parecem. O corpo não precisa delas para levantar voo em pleno triunfo. Têm impulso próprio… Ao passo que as auréolas à volta de Cristo, das Virgens e dos Santos, só elas se vêem. Impõem-se. Aborrecem-me. O que é que quer? Não se pintam almas; pintam-se corpos; e quando os corpos estão bem pintados… com um raio!… a alma, caso tenham uma, por todos os lados a alma irradia e transparece.»


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Irene Nemirowsky

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Irene Nemirowsky [ Kiev, 1903-Auschwitz, 1942 ], autora de David Golder, Sistema Solar, 2012