sexta-feira, 26 de outubro de 2012

«Diários», de Al Berto


DIÁRIOS

Al Berto


Organização e Prefácio: Golgona Anghel


Formato e acabamento: 14,5 x 20,5 cm, edição brochada com sobrecapa / 592 páginas
ISBN: 978-972-37-1650-4
PVP: 22 €

Preciso com a máxima urgência de escrever, sobretudo não parar de escrever, não para substituir o livro que me escapa, que se desligou de mim, mas porque me é impossível não criar, não escrever, ou ficar siderado perante o vazio que o livro deixou. Não acredito no génio, acredito, sim, na necessidade, na urgência, na ânsia de me manter por um fio entre a queda final e o precário equilíbrio das palavras.

Al Berto


Já está disponível nas livrarias Assírio & Alvim

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Camilo Castelo Branco


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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

deixando no poema uma espécie de mágoa / como uma marca de água impresente

Fotografia (pormenor) de Lucília Monteiro

TODAS AS PALAVRAS

As que procurei em vão,
principalmente as que estiveram muito perto,
como uma respiração,
e não reconheci,
ou desistiram e
partiram para sempre,
deixando no poema uma espécie de mágoa
como uma marca de água impresente;
as que (lembras-te?) não fui capaz de dizer-te
nem foram capazes de dizer-me;
as que calei por serem muito cedo,
e as que calei por serem muito tarde,
e agora, sem tempo, me ardem;
as que troquei por outras (como poderei
esquecê-las desprendendo-se longamente de mim?);
as que perdi, verbos e
substantivos de que
por um momento foi feito o mundo
e se foram levando o mundo.
E também aquelas que ficaram,
por cansaço, por inércia, por acaso,
e com quem agora, como velhos amantes sem
desejo, desfio memórias,
as minhas últimas palavras.

Manuel  António Pina

«Não se pintam almas; pintam-se corpos; e quando os corpos estão bem pintados… com um raio!… a alma, caso tenham uma, por todos os lados a alma irradia e transparece.»


«Olhe. Veja-me isto… a Vitória de Samotrácia. É uma ideia, é todo um povo, um momento heróico na vida de um povo, mas os tecidos colam-se, as asas batem, os seios incham. Não preciso de ver a sua cabeça para imaginar o olhar, porque todo o sangue que chicoteia, que circula, canta nas pernas, nas ancas, em todo o corpo, passou como uma torrente pelo cérebro, subiu até ao coração. Está em movimento, é todo o movimento da mulher, de toda a estátua, de toda a Grécia. Olhe, quando a cabeça se soltou, o mármore ficou a sangrar… Ao passo que lá em cima, com o sabre do carrasco, pode cortar o pescoço a todos aqueles queridos mártires: sairá um pouco de vermelhão, gotas de sangue, isso… Já levantaram voo para Deus, exangues. As almas não se pintam. E, repare, as asas da Vitória não se vêem, eu já não as vejo. Não pensamos nelas, tão naturais parecem. O corpo não precisa delas para levantar voo em pleno triunfo. Têm impulso próprio… Ao passo que as auréolas à volta de Cristo, das Virgens e dos Santos, só elas se vêem. Impõem-se. Aborrecem-me. O que é que quer? Não se pintam almas; pintam-se corpos; e quando os corpos estão bem pintados… com um raio!… a alma, caso tenham uma, por todos os lados a alma irradia e transparece.»


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Irene Nemirowsky

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Irene Nemirowsky [ Kiev, 1903-Auschwitz, 1942 ], autora de David Golder, Sistema Solar, 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Inimigo Público


«Num estilo cru, simples e elegante, os cartoons que António Jorge Gonçalves tem desenhado semanalmente desde 2003, no Inimigo Público, versam temas nacionais e internacionais, da política institucional ao comentário de género, e constituem um mosaico do mundo tal como nos é servido pelos media à mesa das nossas consciências.»


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

«Estas são as primeiras vontades para uma vida humana digna.»

 




Lançamento de Primeiras Vontades, Chiado, 7 de Outubro de 2012.

«Porque a primeira condição para não nos condenarmos é não nos condenarmos à sobrevivência, há que reencontrar os caminhos de uma vida que nos projecte fins a perseguir, há que reencontrar o sentido moderno de uma autonomia do humano, que para si mesmo escolhe uma lei, um destino, um sentido, e não se submete à heteronomia da subtracção da existência, dada, como ídolo da precariedade, ao consumo de um capitalismo canibal. Escolher é hoje escolher não sermos sobreviventes e resgatar o direito a uma História humana. Em tempos em que abundam as declarações de últimas vontades, nestes tempos árduos que vivemos, há que escolher como se os tempos fossem imaginativos e nos movessem vontades de outros tempos. Estas são as primeiras vontades para uma vida humana digna.»

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

No próximo domingo à tarde na livraria do Chiado



A DOCUMENTA convida para o lançamento do livro de

André Barata

PRIMEIRAS VONTADES
da liberdade política para tempos árduos


7 de Outubro (domingo), às 16h30

apresentação por

Rui Tavares


Livraria Assírio & Alvim | Chiado
Pátio Siza — Entrada pela Rua Garrett, 10 ou pela Rua do Carmo, 29, Lisboa

«Os ensaios deste livro procuram defender um caminho diferente, de escolhas humanas que dêem um futuro à História, através do pensamento sobre a liberdade política de Jean-Jacques Rousseau, Isaiah Berlin, Hannah Arendt, Jacques Rancière, Jean-Paul Sartre e Slavoj Žižek»